terça-feira, 26 de março de 2013

Alguns casos de " ordens " não cumpridas na F1

Massa e Heidfeld – GP da Europa de 2002

 

Quem pensa que esse negócio de ordem de equipe só existe em times grandes está totalmente fora da realidade . No GP da Europa de 2002, para agradar um potencial grupo de investidores alemães que queria injetar dinheiro em sua equipe, Peter Sauber ordenou que Felipe Massa cedesse o sexto lugar a Nick Heidfeld em Nurburgring, mesmo sem haver qualquer outra explicação plausível para que o um, e não o outro, fosse o responsável por marcar aquele tentinho para o time.
Por isso, o brasileiro se fez de desentendido e não acatou o ordenamento, alegando depois que o rádio estava com problema . O troco veio em Hockenheim, quando, só por birra, o chefão exigiu que Massa deixasse Heidfeld passar para ser o, oitavo colocado, que naquela época nem ponto marcava. O alemão terminaria em sexto, portanto dentro da zona de pontuação, apenas por conta de abandonos aleatórios, mas o objetivo inicial da ordem era só colocar o impetuoso novato em seu lugar (o de comandado). E Felipe teve de acatar, ameaçado que foi de perder até o emprego.

Webber e Vettel – GP da Grã-Bretanha de 2011

Mark Webber pode até ter sido a grande vítima dessa história recente de Sepang. Mas daí a comprá-lo como um santo desguarnecido… No GP da Grã-Bretanha de dois anos atrás, Fernando Alonso regozijava de boa vantagem na ponta, enquanto Vettel era o segundo e seu colega australiano vinha logo atrás. Mais rápido na parte final da prova, o oceânico partiu para cima do companheiro, mesmo sob recomendações expressas para que ambos mantivessem suas posições.
Ao fim da corrida, Webber disse que sabia o que estava fazendo e não colocaria o resultado do time pelo ralo, assim como o próprio Vettel também minimizou a questão. Mas tudo isso, claro, só terminou em calmaria porque Mark não conseguiu ultrapassá-lo. Se a manobra se consumasse, como ocorreu de forma inversa neste GP da Malásia, a crise interna provavelmente teria tomado grifos muito mais chamativos.

Schumacher e Barrichello – GP de Mônaco de 2005

 

Depois de ser coletado em uma confusão iniciada pela Minardi de Christian Albers na 24ª passagem, Michael Schumacher perdeu uma volta em relação ao líder e caiu para o fundo do pelotão no GP de Mônaco de 2005. Como de praxe (pelo menos na primeira fase da carreira), o heptacampeão partiu para uma alucinada corrida de recuperação e, dentro das possibilidades da limitada Ferrari F2005, alcançou o oitavo lugar nas voltas finais da prova. Logo à frente, estava seu companheiro Rubens Barrichello, preso em um pelotão segurado por Fernando Alonso e seus pneus em frangalhos.
Ao arriscar uma primeira tentativa de ultrapassagem na penúltima passagem, o teutônico foi avisado pelo rádio que deveria manter as posições, algo que também foi garantido ao brasileiro em sua comunicação. Mas é óbvio que o maior vencedor da F1 não seria freado por uma ordenzinha mixuruca como essa, e ele acabou passando Barrichello de um jeito ou de outro na última volta, em grande manobra na saída do túnel. Quase superou também o irmão Ralf, o que renderia um feito fantástico. Mas não foi preciso mais do que a primeira manobra para que a relação entre ele e Rubens azedasse de vez. No caso do brasileiro, aquele foi a gota d’água em sua passagem pela Ferrari, servindo como estímulo definitivo para que ele iniciasse suas eternas lamentações contra o ex-parceiro e rompesse o contrato com os italianos no fim daquele ano, indo parar na Honda.

Montoya e Kimi – GP da Bélgica de 2005

Quando sofreu seu acidente de moto no começo de 2005, Juan Pablo Montoya perdeu totalmente a moral junto à cúpula da McLaren. Como o colombiano ainda voltou à ativa longe de sua forma ideal no meio da temporada, recebeu do chefe Ron Dennis a triste orientação de que teria de trabalhar pelo resto do ano em prol de Kimi Raikkonen. Desta feita, após acompanhar calado várias mudanças de estratégia feitas no meio de algumas corridas para favorecer o companheiro, Montoya resolveu chutar o balde no GP da Bélgica, quando a McLaren trocou a liderança de mãos entre seus dois representantes graças ao trabalho nos boxes. Ao encontrar o retardatário Antônio Pizzonia pela pista, o “gordito” não pensou duas vezes e encheu seu MP4-20 no FW23 do brasileiro.A intenção da batida nunca foi confirmada, mas há quem jure que Pizzonia ouviu um “desculpe ter te usado, mas obrigado pela ajuda” de João Paulo depois da etapa.Além de tirar pontos da equipe, Montoya permitiu que Fernando Alonso assumisse o segundo lugar e herdasse mais dois pontos na tabela.

 

Alonso e Hamilton – GP da Hungria de 2007

A guerra interna entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton na McLaren, em 2007, vinha se desenhando desde a primeira metade do ano. Porém, a coisa só explodiu de vez no GP da Hungria, e não foi nem na corrida, mas sim no treino classificatório. Conforme combinado desde o primeiro momento em que a explosiva dupla foi definida, havia um revezamento entre quem era o último a abrir volta rápida nas tomadas de tempos e, naquele fim de semana, o privilégio seria do espanhol. Sabe-se lá por qual motivo, o destemido estreante inglês resolveu ignorar o trato, indo para a pista depois de Alonso no Q3.
Ao ser intimado por Ron Dennis a restabelecer a ordem correta, o inglês mandou o dirigente às favas (com termos bem mais fortes, claro), mas não contava com a astúcia de seu companheiro. Quando parou para trocar pneus e partir para a segunda tentativa, Alonso ficou parado nos pits bem mais do que o necessário, prendendo Hamilton atrás de si por tempo suficiente para que ele mesmo pudesse abrir mais uma volta, enquanto o britânico não. Na pista, deu certo, pois o asturiano tomou a pole do arquirrival. Só que os comissários julgaram como antidesportiva sua atitude e o puniram com a perda de cinco posições no grid. Numa pista como Hungaroring, uma sanção bastante forte. Por isso, Hamilton pôde desfrutar de sua terceira vitória na carreira, enquanto Alonso amargava um insosso quarto lugar no resultado final.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário